Total de visualizações de página

domingo, 19 de agosto de 2012

Os símbolos de Chanel


Chanel em seu apartamento em Paris, em 1937

Algumas pessoas acham que o luxo é o oposto de pobreza. Não é. É o oposto de vulgaridade. 
(Coco Chanel)

A data de hoje, 19 de agosto, é a do nascimento de uma das mulheres mais famosas e influentes do século XX,  Gabrielle Chanel, que nascia há 129 anos, na pequena cidade de Saumur, na França. 

Sua origem humilde e experiências sofridas quando menina e adolescente ficaram para trás ao longo da vida de sucesso e conquistas. A mulher que revolucionou não só a moda, mas o comportamento das mulheres, não falava dos episódios tristes de sua vida, e recriava sua história constantemente. 

Uma leonina com características muito marcantes e de  personalidade forte. Determinada, ousada, criativa, deixou muitas contribuições para as gerações futuras que podem ser percebidas através de suas criações e símbolos que adotou.  Aliás, ela própria é um símbolo: de elegância, luxo, revolução, atitude e ousadia.

Em Mulheres Extraordinárias no mundo da moda: parte 1 apresentei um pouco sobre a vida de Chanel e sua  importância para a moda. Hoje, para comemorar a data de seu nascimento, trago algumas de suas criações e marcas para a moda e sua importância e presença na vida das mulheres até os dias atuais.



Variações da clássica 2.55
A Bolsa 2.55

A famosa bolsa de matelassê  recebeu esse nome devido à data em que foi lançada: fevereiro de 1955. O fecho original é o retangular. O fecho com os CCs entrelaçados só foi criado na década de 80 pelo estilista da marca, Karl Lagerfeld.

As alças de correntes duplas douradas são também uma característica marcante dessa bolsa, criada pela designer quando estava com 71 anos de idade.

Inicialmente a bolsa foi criada em couro e em jersey nas cores preferidas de Chanel, bege, marrom, preta e azul marinho, mas ao longo dos anos foram feitas muitas variações do modelo original, com cores e materiais diferentes como tecidos e metais.


Em comemoração ao 50° aniversário da bolsa (Fevereiro de 2005), Lagerfeld fez a reedição da 2.55  que a denominou “2.55 Reissue”.
Exemplar da bolsa 2.55 Reissue (usada)
custa por volta de U$ 3.800
Imitada, copiada e recriada por muitos, a famosa 2.55 é um dos ícones da marca Chanel e tornou-se um símbolo de status na segunda metade do século XX, e é até hoje fonte de inspiração para os designers modernos.


As jóias


Chanel foi uma das primeiras designers a usar imitação de jóias para compor seus looks. Já na década de 20, ela trouxe as imitações das pérolas e outras jóias para um nível superior, o da arte, com ar sofisticado e chique. Suas roupas feitas com tecidos e cortes simples, e em cores neutras, combinavam perfeitamente e pediam o uso de acessórios.

Chanel gostava de usar acessórios, mas sempre dizia que "deveriam ser usados para decorar e não para exibir riqueza e que muito dinheiro poderia matar o luxo". Por isso a opção pelas imitações e combinações variadas de elementos não naturais e pouco custosos, mas que causavam o efeito desejado de compor, adornar e enriquecer o visual.

Apesar de possuir muitas jóias valiosas ela raramente as usava. Diferentemente do costume e tradição das mulheres da época, Chanel gostava de usar seus muitos acessórios durante o dia, mesmo em situações informais  como ir à praia, por exemplo. Já à noite, raramente usava qualquer adorno.  

As inspirações para Chanel criar suas peças (em parceria com joalheiros e designers importantes) eram muito variadas, como por exemplo: as jóias Romanov que recebeu do Grand Duke Dimitri da Russia, as jóias dadas pelo Duke de Westminster com esmeraldas, rubis e safiras,  as jóias do período do Renascimento e Bizantino. E também inspirava-se nos botões, correntes e fivelas dos uniformes militares.

Ela adorava criar acessórios com pérolas artificiais. Quando era jovem as pérolas eram as pedras mais preciosas e um privilégio da aristocracia. Chanel fazia suas criações com pérolas maiores e de cores variadas, além da cor natural. Seus colares com várias voltas, broches e pendentes tornaram-se um de seus símbolos clássicos.


A estilista e suas pérolas em muitos cordões, de tamanhos variados 


Além das pérolas, Chanel usava pedras semi-preciosas como água marinha, topázio, ametista e cristal para compor acessórios a serem usados com seus vestidos de noite.

As jóias de Chanel eram um mix de pedras naturais e imitações. É notável que suas peças continuam a influenciar até hoje na criação dos acessórios de moda.


Chanel e  seu amigo Salvador Dali, em 1937, usando
um maxi colar de pérolas e pulseiras inspiradas em adornos 
militares 

O Tailleur

Terninho de Chanel, de 1929
No início da década de 20, por inspiração dos uniformes dos soldados da infantaria, Chanel criou um conjunto com uma blusa modelo túnica longa marcada por um cinto que sugere uma cintura baixa coordenada à saia com abotoamento lateral.  Nessa época tudo a inspira, seu contato com o mundo, com os artistas. Chanel conquista Paris e passa a ser reconhecida no mundo todo.

Em 1925 ela começou um caso de amor com o Duque de Westminster. Esse caso de amor que durou alguns anos contribuiu muito para o mundo da moda. O duque colocou à disposição de sua amada uma tecelagem própria que passou a fornecer o tweed de lã para o novo tailleur Chanel. Iniciou-se assim  a fase da influência inglesa com o tecido e a arte da alfaiataria, que marcaram suas peças a partir daquele momento sempre com a exigência do corte e caimento perfeitos.

A década de 20 foi marcada pelo encurtamento das saias. Por volta de 1926 a saia atingiu o comprimento de quatro dedos abaixo do joelho. E a década terminou conhecida como os Anos Loucos, por representar uma extravagância jamais igualada.

Nas décadas de 50 e 60, Chanel traduziu o clássico tailleur de tweed numa nova moda, mais moderna e que contrastava com os vestidos estruturados de Dior. Ela competia ativamente contra Dior defendendo suas roupas mais confortáveis para a mulher da época.

Chanel, na década de 60...

.... trabalhando em suas peças

Os terninhos de lã de Chanel, com botões dourados  eram simplesmente maravilhosos e suas variações têm sido usadas pelas mulheres até hoje. Os casacos sem golas ficaram tão associados ao seu nome que são referidos hoje como o casaco estilo Chanel.

Coleção Chanel  Outono Inverno 2012 - 2013: o tailleur novo vintage


A Camélia


Sua flor favorita tornou-se um dos símbolos mais emblemáticos. Esta flor estava em moda na sua época  e era usada pelos jovens e cavalheiros nas lapelas de seus paletós. Assim como fez com outras peças do vestuário e acessórios masculinos, como as camisas, os chapéus e as calças, a camélia também passou a ser incorporada no seu estilo, agora com um toque feminino. 

Associada ao mistério e à sensualidade, esta flor pode também ter se tornado sua preferida  após ter recebido um buquê de camélias brancas de seu amor Boy Capel.


A atriz Shirley MacLaine no papel de Chanel, aos 70 anos de idade,
no filme Coco Chanel (2008). Nesta imagem ela está usando três dos grandes símbolos da estilista: a camélia, as pérolas e o tailleur de tweed. 




Originalmente confeccionada em organza branca, o acessório, em forma de broche, enfeitava as roupas criadas pela estilista. Ao longo das décadas, vem sendo modificada e é praticamente um símbolo do grife, estando presente em acessórios, roupas, e até mesmo nas embalagens de presente da maison.
As várias camélias 















O Vestido Preto

A primeira versão do famoso pretinho básico

De todas as suas inovações na moda e no design, a mais famosa, sem dúvida,  é o vestido preto ou o LBD (little Black dress). Chanel o criou no período entre Guerras, quando as cores brilhantes, as estampas e os bordados dominavam a moda.

O vestido preto de mangas compridas foi feito em lã para o dia e em crepe, veludo ou seda para a noite realmente abalou o mundo da moda. Mais tarde apareceram outras variações do vestido, mais curto, sem mangas, em chiffon, com renda preta.

Em 1926, a Vogue americana nomeou o vestido preto de Chanel como um “Ford”, por conta de sua simplicidade e enorme potencial em se tornar um sucesso duradouro.




O vestido preto de Chanel tornou-se um símbolo da simplicidade chique e sofisticada e é até hoje referência da marca, agradando a todas as mulheres. É sempre uma escolha acertada, para as  mais diversas ocasiões.  Um pouco mais sobre este famoso amigo das mulheres já comentei em A Bonequinha de Luxo fez 50 anos. Vale a pena rever.

  Cannes 2011. Claudia Schiffer com vestido de renda preto
 e jóias Chanel 


Chanel n° 5


Uma das mais famosas garotas propaganda
 do perfume: Marilyn Monroe

O perfume foi criado em 1921 por Ernest Beaux a pedido de Chanel que havia dito que queria “um perfume de mulher com cheiro de mulher”.  Depois de muitos testes  Chanel finalmente escolheu a amostra identificada pelo número 5. No  filme Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009) podemos ver cenas que retratam essa experiência da estilista na elaboração de seu perfume assim como a  influência imediata dele para as mulheres da época, que faziam fila em frente à sua Maison para adquirir o produto.

Foi o primeiro perfume sintético a levar o nome de um estilista e sua importância foi tamanha para a arte e sociedade moderna que o levou a ser  incorporado à Coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York em 1959.
Chanel escolheu um frasco de design simples no estilo Art Deco, e acrescentou uma etiqueta preta e branca. O frasco já sofreu algumas evoluções, mas mantém sempre seu lado refinado que fez sucesso.


O perfume é um clássico feminino, de agrado de muitas mulheres famosas, que contribuíram ainda mais para torná-lo um ícone de sucesso. Dentre essas musas, destaque para Marilyin Monroe, Catherine Deneuve, Nicole Kidman, entre outras.



Catherine Deneuve
Nicole Kidman

E uma campanha recente do perfume, que está sempre entre os dez mais vendidos do mundo, traz o ator Brad Pitt, considerado o "primeiro muso" da marca. 


Brad Pitt

Muito já foi dito e há sempre mais a dizer e refletir sobre Chanel, suas criações, símbolos, e sua influência e presença no mundo da moda até os dias de hoje.  Por ora, termino este post com uma cena do filme Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009), quando Chanel finalmente decide pelo seu símbolo mais marcante, o perfume, o clássico e eterno Chanel 5. 














sábado, 19 de novembro de 2011

Eles não chegaram aos 30 - o Clube dos 27

'Live Fast, Die Young and Leave a Good-looking Corpse'
 (Viva rápido, morra jovem e deixe um lindo cadáver)

Essa frase proferida pela primeira vez no cinema em 1949  por John Derek no filme  Knock on Any Door (O crime não compensa) e depois também usada por James Dean, parece ilustrar bem as similaridades com esse estranho grupo de artistas - o Clube dos 27. 

Prestes a completar 4 meses das morte precoce da cantora inglesa  Amy Winehouse, trago novamente esse assunto, tão já apresentado na mídia recentemente sobre as coincidências em relação aos artistas ligados ao rock que partiram muito jovens, aos 27 anos de idade, depois de terem vivido experiências muito intensas.  É o Clube dos 27 que conta além da nova integrante inglesa, com Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison,  Kurt Cobain, entre outros.   Eles têm muito em comum além da música: o estilo de vida marcado por escândalos, drogas, polêmicas, depressão,  suicídios e  mortes não muito bem explicadas.

Esses jovens, por várias razões, vão ficar para sempre na história da cultura ocidental.  Suas influências não só na música, mas no estilo, pensamento e até no visual influenciaram e continuam a influenciar muita gente. E independentemente de gostar (ou não) e se identificar com a expressão de cada um deles, suas experiências deixam lições e reflexões.

Como um blog que tem por foco a Moda e a Arte, nesse post quero fazer uma breve homenagem a  5 artistas desse grupo  procurando focalizar seus estilos de visual no palco e em exposições públicas,  trazendo  um pouco da época em que viveram e como acabaram influenciando suas gerações de alguma maneira.


JIMI HENDRIX
Seatle, 27/11/1942 – Londres, 18/09/1970

Considerado por muitos o “melhor guitarrista de todos os tempos”. Um dos ícones do movimento hippie dos anos 60 e grande influência para os jovens dessa geração. A expressão da liberdade, a quebra dos paradigmas, a revolta contra o sistema e a violência são marcas compartilhadas pelo artista. Os sons inconfundíveis de sua guitarra  que deixavam multidões em transe, juntamente com as drogas.
Woodstock - Agosto de 1969
Drogas em excesso, escândalos, polêmicas também marcaram a vida e morte desse jovem.  As causas de sua morte são associadas à overdose por alguns, mas por excesso de remédios para dormir por outros.
Jimi, além de ser um excelente guitarrista e amar a música, também desenhava e gostava de criar as estampas para as roupas que usava em suas apresentações. Muitos de seus desenhos psicodélicos ficaram por muitos anos longe do conhecimento do público.  Há poucos anos foi descoberta uma valiosa coleção de desenhos do artista, feitos com canetinhas hidrocor. Os desenhos são de um colecionador americano.


Desenhos originais feitos por Hendrix
Para quem quiser a Rock Art Brasil comercializa alguns produtos  que trazem estampas dos desenhos originais de Hendrix.  A comercialização e divulgação desses produtos foi uma iniciativa do único irmão do artista, o também músico Leon Hendrix.





JANIS JOPLIN
Port Arthur (Texas), 19/01/1943 – Los Angeles, 04/10/1970

Sua voz forte e marcante era sua principal característica. Com influências do jazz e do blues tornou-se um dos ícones do rock psicodélico e de toda a geração dos 1960.

Janis em Woodstock, 1969
Sempre com muitos acessórios e cores
Vestia-se como os artistas e poetas da Geração Beat (movimento sócio-cultural do pós segunda guerra que pregava um estilo de vida anti-materialista).   Janis usava cabelos longos e soltos, óculos de sol coloridos, saias, vestidos florais... Um look despojado,  típico dos hippies.

Ela foi a primeira roqueira a inventar seu próprio estilo. Dizem que frequentava muito os brechós e armários dos amigos em busca de peças para misturar e criar seus looks, de maneira exclusiva. Ela queria ser diferente!
Janis customizavas suas próprias roupas com bordados e pedrarias (influência do estilo indiano, também). Usava  botas cowboy com saias,  misturava couro com tie-dye (indiano novamente) e se enchia de acessórios - pulseiras e colares, sempre, pois gostava do som das peças chacoalhando. Para informações bem detalhadas sobre o estilo e escolhas de Janis para o seu visual encontrei esse post bem bacana (http://www.pcs.org/blog/item/janis-joplin-daring-to-be-different/).

Sua curta e intensa vida foi marcada por drogas e álcool em excesso.

Posso não durar tanto quanto as outras cantoras,
mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar
demais com o amanhã. (Janis Joplin)

E a afirmação acima parece que foi seguida, mesmo. Sua morte prematura e já esperada por todas as circunstâncias em que a jovem  vivia  teve como causa uma  overdose de heroína.

O filme The Rose, de 1979, que tem Bette Midler no papel principal, é um  relato levemente disfarçado da carreira de Janis Joplin. Uma ótima recomendação para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a vida breve e intensa da jovem cantora.



JIM MORRISON
Melbourne (Florida), 8/12/1943 – Paris, 03/07/1971

Líder e cantor da banda de rock The Doors e autor da maior parte das letras da banda.
Visual típico de Morrison no início de sua carreira
Com visual muito diferente dos dois artistas acima, sempre aparecia com os cabelos ondulados na altura do pescoço, roupas clean, com poucos (às vezes, nenhum) adorno. Queria o foco para sua arte, a música e a poesia. Mas, mesmo sem querer, ele era daqueles sex symbols  que deixava todo mundo histérico em suas aparições. Com personalidade forte e uma predileção pelos assuntos mais escuros, como morte, sofrimento,  dor, ele nos lembra os poetas românticos do século XIX, até no visual.
No final da década de 60 ele aparece com esse visual:
mais gordo e com barba.
Uma vida  breve, mas marcada por drogas e escândalos (incluindo prisão e julgamento).

Morrison foi encontrado morto na banheira de seu apartamento, em Paris, e segundo relatório oficial, a causa da morte foi um ataque cardíaco.  Ainda hoje, depois de mais de 40 anos de sua morte ainda há rumores sobre as circunstâncias de sua morte e as dúvidas sobre overdose ou assassinato.  ATé hoje o local onde está enterrado, o cemitério Pere Lachaise em Paris, é um local muito visitado por fãs e curiosos.

Uma boa dica para saber mais sobre esse artista  é o filme The Doors (1991) com a brilhante e emocionante atuação do ator Val Kilmer, que parece que incorporou mesmo a vida do protagonista. 


KURT COBAIN
Aberdeen, 20/02/1967   -  Seatle, 05/04/1994

 O artista grunge dos anos 90 também faz parte desse clube. Encontrado morto nas dependências de sua casa em Seatle, as  investigações policiais afirmam que o ex-líder do Nirvana cometeu suicídio, mas boa parte de seus fãs acredita que ele foi assassinado.

Visual clean, jeans, camiseta e cardigan,
também intimista e romântico
Kurt foi um dos principais representantes desse movimento grunge do início dos anos 90. Seu estilo, na música e na roupa influenciou toda essa geração e até hoje está presente principalmente entre os jovens.

Calças jeans rasgadas e bem soltas.
Roupas largas, sobrepostas, camisetas e camisas, tênis
marcam o estilo grunge que começou em Seatle.

Assim como dos outros jovens, a morte de Cobain causou muita comoção entre todos, especialmente seus fãs.


AMY WINEHOUSE
Londres, 14/09/1983  - Londres, 23/07/ 2011

A vida de Amy foi marcada por um longo histórico envolvendo uso de drogas, bebidas e tentativas de reabilitação. Muitas de suas aparições em público, e em shows,  mostravam uma pessoa um tanto quanto perturbada e, ao mesmo tempo, segura de si mostrando ao mundo sua voz forte, marcante cantando músicas que muito diziam sobre sua própria vida (como Rehab, por exemplo). 



Maquiagem e penteado
típicos da cantora
A imagem de Amy era marcante, seu estilo inconfundível.  Trazia uma mistura de estilos, com os olhos sempre muito marcados e o cabelo muito armado com penteado inspirado nas divas dos anos 1950/60, com adornos delicados e femininos, na maioria das vezes.

Usava cores fortes na maioria das vezes e em roupas e acessórios simples, como as sapatilhas de balé. Parecia que estava em outra época, outro tempo, por conta desse visual. Mas suas muitas tatuagens pelo corpo a colocavam novamente na era contemporânea.

Looks de Amy

Sua morte recente ainda será muito investigada, comentada e sofrida pelos seus muitos fãs e admiradores.  A jovem se foi e o que fica para seus fãs e todos aqueles que vivem nesse momento e a conheceram é o seu trabalho, sua música e os ensinamentos que se pode tirar de seu estilo de vida.


E termino esse post com o trailler de um filme sobre esse estranho clube e desejando que não tenha mais sócios ou frequentadores.











segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Bonequinha de Luxo fez 50 anos!

Imagem inesquecível:
Audrey como Holly Golightly 
Audrey Hepburn para sempre será lembrada por seus papéis marcantes no cinema. Um deles, sem dúvida, é o norte-americana interiorana que vai buscar sucesso, luxo e dinheiro em Nova York, como garota de programa, no final da década de 50. Estamos falando de  Holly Golightly, a famosa personagem de Breakfast at Tiffany's de Truman Capote, escrito em 1958.

Capote havia pensado em sua diva e adorada Marilyn Monroe  para o papel de Holly, mas a Paramount Pictures preferiu Audrey. A escolha deu muito certo e Audrey, no auge de sua carreira e beleza, ficou eternizada nesse papel. Quem não tem em mente a imagem da bela moça com vestido preto longo, jóias, óculos escuros e piteria em frente à famosa joalheria em Nova York tomando seu café?


Por volta das 6 da manhã, Holly observa a vitrine da Tiffany's
 na deserta 5a. Avenida, em Nova York

A versão para o cinema, dirigida por Blake Edwards, completou 50 anos. Era o começo do mês de outubro de 1961 quando o filme foi lançado nos Estados Unidos. 

Audrey Hepburn, então com 31 anos de idade e com um bebê recém nascido, hesitou em aceitar o papel por achar que ela não era tão extrovertida como Holly deveria ser. No final, achou que foi um de seus melhores trabalhos pelo desafio que lhe proporcionou.

O  designer francês  Hubert de Givenchy  era amigo e parceiro profissional de Audrey. Ele já havia feito seus figurinos para Sabrina, em 1954 e para Funny Face (Cinderela em Paris), em 1957. Mas sua obra de arte foi, sem dúvida o famoso vestido preto da primeira cena de Bonequinha de Luxo, além dos outros modelos que a atriz usou no filme.



Um pouco sobre o pretinho básico


Desenho de Chanel para a Vogue de 1926
Em 1926 a revista Vogue  publicou uma ilustração de um vestido preto de Chanel.   Foi ela, sim, que trouxe o uso do vestido preto para as mulheres,  e essa é  uma de muitas de suas revoluções na moda e no comportamento da mulher. Antes dos anos 20 as mulheres não usavam preto, somente no período de luto.

Durante o período de Depressão e Guerra, décadas de 30 e 40, as mulheres tiveram que trabalhar fora e a era da ostentação ficara  pra trás. Nesse momento o vestido preto, sóbrio, sério, tomou conta das escolhas das mulheres.




Com o fim da guerra e o surgimento do New Look de Dior, em 1947, o vestido preto passou a ter uma cara mais descontraída e glamorosa. Agora com cintura apertada e quadris avantajados o vestido preto era usado com golas e luvas brancas, colares de pérolas, sapatos coloridos e estola de pele. A simplicidade dos anos 30 havia ficado para trás. E nas décadas seguintes o pretinho básico tornou-se realmente famoso e nunca mais perdeu seu espaço, sendo usado por todas incluindo celebridades e primeiras-damas como a chique Jacqueline Kennedy.

Woman in black. Modelo de Dior da década de 50.
A volta da feminilidade através do excesso de tecido e cintura marcada

Mas o vestido usado por Audrey em Bonequinha de Luxo é um dos mais famosos  do tipo pretinho básico ou em inglês LBD (little black dress)  e é, sem dúvida, um dos ícones da moda do século XX  e da história do cinema. O vestido sinaliza uma nova mulher, que não precisa de muito tecido para se mostrar e nem ter muitas curvas ou corpo muito sensual à mostra. É simples, chique, elegante e a personagem que o usa tem imponência e personalidade.

É assim que Holly aparece na primeiras cenas na deserta 5a. Avenida numa manhã bem cedinho. Mas além desse longo preto, que só aparece no início do filme, Audrey usa outro vestido preto só que curto, na altura do joelho em duas ocasiões distintas: quando vai à prisão numa manhã de quinta-feira visitar seu amigo mafioso que está preso, e numa festa em sua casa. 
Outro famoso LBD usado no filme. Detalhe da piteira como acessório.
O cigarro aparece em quase todas as cenas do filme.


Bonequinha de luxo  ganhou  dois Oscars, melhor trilha sonora para a canção Moon River de Johnny Mercer e Henry Mancini (feita para Audrey  cantar em uma das passagens do filme, belíssima!), e melhor direção de arte e figurino.


Holly chegando em casa com José
 e ainda não sabe da triste notícia


Além dos vestidos preto Audrey usou, ao longo do filme, outras modelos e cores e parece que a escolha do figurino acompanha o desenrolar da personagem e seu estado de espírito. Um de meus modelos favoritos é o vestido pink, acompanhado com o  casaco da mesma cor que Holly usa quando sai com seu pretendente brasileiro, José. Nessa cena ao chegar em casa ela recebe a triste notícia da morte de seu irmão e tem um colapso.

Nas cenas seguintes já não vemos mais Holly vestida com tanto glamour e nas cenas finais o luxo dá lugar à simplicidade. A cena final é clássica também, e é o oposto da cena de abertura. Holy na chuva, no meio de um local parecendo um lixão procura seu gato, com cabelo despenteado e usando uma raincoat, apenas. Não há jóias, não há breakfast e muito menos Tiffany´s. 

Desespero de Holly procurando seu gato nas cenas finais do filme
E o filme termina com um cena romântica. Mas atenção, essa é a versão do filme e é dessa obra que falamos aqui nesse post. Para conhecer a vida e destino da Holly Golightly, criada por Truman Capote é necessário ler o livro. Há muitas diferenças entre essas duas versões, principalmente o final.

Termino com o trailler oficial do filme, para provocar ainda mais a curiosidade e interesse daqueles que ainda não o assistiram.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A moda de cada um

Ainda vamos ouvir falar muito dele e de suas obras que estarão presentes em nossas vidas para sempre. Mas nesse post eu quero falar sobre o estilo próprio de se vestir de Steve Jobs, muito peculiar para dizer a verdade.

Steve Jobs em 2008
Jobs sempre aparecia em público com o mesmo tipo de roupa: blusa preta de gola rolê (turtleneck) e calça jeans. E de onde veio isso? Em sua biografia oficial a ser lançada ainda esse ano o autor Walter Isaacson  conta  sobre essa curiosidade. 

Inspirado em empresas japonesas onde os funcionários usavam uniformes que se tornavam a marca registrada e de identidade de cada empresa, Jobs tentou fazer o mesmo na Apple e pediu ao estilista japonês Issey Miyake que criasse uniformes. Essa ideia não agradou ao pessoal da Apple e a história dos uniformes para os funcionários foi abandonada. Mas Jobs não desistiu da ideia e decidiu que ele poderia ter uma roupa própria,  um uniforme, pela conveniência, praticidade e também para criar uma “marca pessoal”.

Jobs e Bill Gates em 2007
Jobs pediu a Miyake algumas camisetas  turtlenecks de manga longa em cores variadas. O estilista mandou para ele centenas de camisetas, mas a cor preta tornou-se a favorita de Jobs. E esse estilo pegou. Em todas as imagens que vemos dele lá estão as camisetas pretas, o jeans e o tênis.
E essa opção pelo guarda-roupa da Mônica parece que é também de Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Nas duas fotos ao lado, com um intervalo de 1 ano, ele aparece praticamente vestido da mesma forma: camiseta cinza, calça jeans e tênis. Zuckerberg vai até a eventos sociais vestido assim e já recebeu o título de "o mais mal vestido". Acho que ele não está se importando muito com isso, não?


E deve haver muitas pessoas que fazem essas escolhas por uma série de razões ou, às vezes, podem ser manias mesmo.


Um nome bem famoso na história ocidental e ainda dentro dessa categoria gênios criadores que também compartilha essa característica fashion é Albert Einstein. Ele sempre usava o mesmo tipo de roupa. Tinha  7 ternos no armário, todos idênticos. Ele dizia que não queria gastar energia preocupando-se com o que vestir. Tinha mais com o que se preocupar, concordo.

Mas e as mulheres? Será que há alguma com esse padrão? Não descobri ainda. Mas li que Angelina Jolie adora o estilo minimalista e gosta dos tons neutros como preto e branco. Ela diz que seu guarda-roupa é praticamente todo no mesmo tom porque é mais prático e ela não perde muito tempo para  se vestir. Isso seria possível?



Uma coisa é certa: gastamos muito tempo pensando no que vestir todos os dias. Homens e mulheres já no dia anterior começam a pensar na roupa, acessórios (acho que nessa parte só as mulheres), como vai estar o tempo, se já não usaram essa roupa recentemente.... Enfim, é uma preocupação que consome muito do nosso tempo e dinheiro, claro.

Acho que os japoneses estão certos, uniformes. Mas e a nossa exclusividade, personalidade?

Bem, o assunto não se esgota mesmo e enquanto isso vou ficando com a minha escolha do dia.
Bjs!